Em um intervalo de poucas horas, o cenário da violência doméstica em Alagoas reafirmou estatísticas alarmantes. De Maceió ao sertão, os relatos de agressões contra mulheres deixaram de ser casos isolados para se tornarem um retrato fiel da insegurança feminina no estado. Somente nesta segunda-feira (26), três ocorrências graves mobilizaram a polícia, revelando que nem mesmo a presença das autoridades ou medidas protetivas parecem frear o ímpeto dos agressores.
A audácia da agressão sob os olhos da polícia
No bairro do Clima Bom, em Maceió, a violência atingiu um nível de audácia extremo. Uma mulher, ao tentar intervir em uma denúncia de perturbação de sossego contra seu marido, foi agredida com empurrões e tapas na frente dos policiais militares. O homem, embriagado e revoltado com a denúncia de som alto, não se intimidou com a farda. Foi preso em flagrante, mas o caso acende um alerta: se a agressão ocorre diante de agentes da lei, qual a segurança dessa mulher entre quatro paredes?
O ciúme como “licença” para agredir
No interior, o cenário se repete com motivações arcaicas. Em Quebrangulo, uma mulher foi encontrada aos prantos em via pública, sendo impedida pelo companheiro de pedir socorro. O motivo? O famigerado “ciúme”. O agressor ameaçou despir a vítima em público e ignorou o fato de que ela já havia possuído uma Medida Protetiva anteriormente. Este episódio escancara uma falha sistêmica: o ciclo da violência que se reinicia mesmo após a intervenção do Judiciário.
A inversão de culpa e a resistência
Já em Tanque d’Arca, o registro foi de uma tentativa de “vituarização” do agressor. Após agredir a ex-companheira com golpes de madeira, o homem acionou a polícia alegando ser a vítima de perseguição. A tática de descredibilizar a palavra da mulher é comum, mas as lesões pelo corpo da vítima falaram mais alto. Ela foi encaminhada para exames periciais, enquanto ele permaneceu detido.
Um quadro que exige resposta
Estes três casos, ocorridos em pontos distintos de Alagoas, convergem para uma mesma realidade: a mulher alagoana segue sendo o alvo principal de conflitos banais, do sentimento de posse e da agressividade desmedida.
As prisões efetuadas pela Polícia Militar e os encaminhamentos às Centrais de Flagrantes e CISPs são passos necessários, mas os números mostram que a punição pós-fato não tem sido suficiente como medida preventiva. É urgente que as políticas públicas de proteção em Alagoas saiam do papel e alcancem as casas, as ruas e, principalmente, a consciência de uma sociedade que ainda tolera o intolerável.
Redação




