A estratégia aposta em soluções baseadas na natureza, com baixo custo, rápida instalação e menor impacto ambiental do que muros de concreto
Tratado no Brasil muitas vezes como espécie invasora ou praga ambiental em alguns biomas, o bambu também pode representar uma oportunidade estratégica diante da crise climática. Enquanto muitos países investem bilhões em muros de concreto para conter o avanço do mar, a Tailândia tem seguido outro caminho. Desde meados da última década, o país passou a adotar barreiras costeiras feitas de bambu como estratégia para reduzir a erosão e permitir a recuperação de áreas degradadas por décadas de ocupação desordenada.
Instaladas em águas rasas, as estruturas funcionam como quebra-mares permeáveis, reduzindo a velocidade da água e dissipando a força das ondas. Estudos internacionais mostram que soluções baseadas na natureza, como vegetação costeira e estruturas porosas, são eficazes na redução da energia das ondas e na proteção do litoral
Monitoramentos conduzidos por agências ambientais tailandesas e projetos de restauração costeira indicam que, dependendo das condições de vento e maré, a energia das ondas pode ser reduzida em até 60% ou 70%. Embora esse percentual varie conforme o local, ele está em linha com pesquisas que analisam o papel de barreiras naturais e manguezais na dissipação de ondas.
O objetivo central da iniciativa é criar condições físicas para o retorno dos manguezais, ecossistemas considerados estratégicos na adaptação climática. Segundo a ONU, manguezais reduzem impactos de tempestades, estabilizam o solo e atuam como uma das formas mais eficientes de captura de carbono do planeta
Sem essas florestas, vilarejos costeiros da Tailândia passaram a perder solo para o mar, estradas foram danificadas e áreas agrícolas deixaram de ser viáveis. Com a instalação das barreiras de bambu, lama e areia voltam a se acumular, permitindo regeneração natural ou replantio dos mangues, processo amplamente documentado em projetos de restauração no Sudeste Asiático
Levantamentos com drones e imagens aéreas mostram ganho de solo, retorno da vegetação e reaparecimento da vida marinha. Além do impacto ambiental, o custo é um diferencial: as barreiras de bambu são mais baratas, rápidas de instalar e de baixa emissão de carbono quando comparadas a grandes obras de concreto.





